Publicado por: felipeperetti | 09/07/2010

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Indecisão para São Paulo-2014 lembra Cidade do Cabo-2010 e seu resultado discutível

da Cidade do Cabo, Felipe Peretti

Estádio Green Point | Foto: Felipe Peretti

A indecisão sobre qual será o estádio de São Paulo para a Copa do Mundo de 2014 continua. Depois que o Morumbi foi descartado, a construção de uma nova arena é debatida. Agora, os governos municipal e estadual hesitam em erguer aquilo que significaria muito dinheiro e pouco retorno. A mesma dúvida que enfrenta as autoridades paulistas já fez parte da preparação da Cidade do Cabo para o Mundial de 2010. O preço foi a perda do jogo de abertura e um palco com um futuro discutível.

Antes da construção do Green Point, o principal município turístico sulafricano tinha o estádio Newlands, tradicional palco de rúgbi que abrigaria 40 mil torcedores durante a Copa, como o estádio local no livro de candidatura entregue à Fifa. Estruturado e localizado em um bairro rico, apenas pequenas reformas a baixo custo seriam necessárias para se adequar às exigências dos organizadores do torneio.

Estádio Newlands | Foto: Felipe Peretti

Mas a preferência da prefeitura e do governo da província de Western Cape era o estádio Athlone, que suportaria o mesmo número de torcedores que o Newlands. Contudo, a arena fica localizada em um bairro mais pobre e teria um valor simbólico na história e no desenvolvimento da vizinhança onde o futebol da cidade nasceu.

Estádio Athlone

A provável mudança de sede não agradou aos cartolas da entidade máxima de futebol, que chantagearam o governo local ao sinalizarem para a realização de apenas cinco jogos – a cidade abrigou oito jogos desta Copa – e sem possibilidade para semifinal, uma vez que a Fifa exigia estádios com mais de 60 mil lugares para esta fase do Mundial.

“[Danny Jordaan, chefe do Comitê Organizador Local] ligou [para Ebrahim Rasool, então governador da província de Western Cape] e disse que a delegação da Fifa não estava convencida que Athlone pudesse ser um dos estádios da Copa e que consideravam que a Cidade do Cabo não estava dando o seu máximo”, revelou Laurine Platzky, coordenadora da província para a Copa.

Foi então que o presidente da Fifa, Joseph Blatter, visitou a Cidade do Cabo e se reuniu com o presidente sulafricano na ocasião, Thabo Mbeki, como conta os jornalistas Karen Schoonbee e Stefaans Brümmer no livro “Player e Referee – Conflicting interests and the 2010 Fifa World Cup” (sem edição em português, mas que pode ser entendido como “Jogador e Árbitro – Interesses Conflitantes e a Copa do Mundo Fifa 2010”). Um dia depois do encontro, um dos ministros avisou Rasool sobre a necessidade da construção de um novo estádio: o Green Point.

No começo, município e província relutaram em começar as obras, mas a visibilidade turística e política foram decisivas. A primeira pela importância econômica que representa. A segunda pelo fato de Western Cape ser o único dos nove estados governado pelo partido de oposição, a Aliança Democrática, e a importância de mostrar serviço.

Assim, a Cidade do Cabo ganhou um belo estádio com capacidade para 70 mil pessoas e ao custo de 4,5 bilhões de randes (R$ 1,125 bilhão), perfeito para a Copa do Mundo. O futuro, contudo, é discutível. O futebol provavelmente não conseguirá mantê-lo, o rúgbi já tem sua casa histórica e dificilmente se mudará. A conta, essa sim já tem destino certo: o bolso do contribuinte. E a fórmula poderá atravessar o oceano Atlântico e desembarcar em São Paulo.


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