O legado da África do Sul para o mundo
da Cidade do Cabo, Felipe Peretti
A Copa do Mundo de futebol de 2010 jamais será esquecida pela África do Sul pela importância econômica que significará para o país. A desconfiança e o preconceito de europeus, asiáticos e americanos deverão tomar um caminho contrário de agora em diante seja quanto ao turismo ou aos negócios. E o país que foi o centro das atenções do dia 11 de junho até hoje deixará para o mundo uma mensagem de humanidade e união.
A começar pelo povo, que agiu durante a Copa do Mundo como verdadeiro embaixador do país. Atenciosos, educados e alegres, a grande maioria deles cumpriu o papel de mostrar aos estrangeiros o que de melhor o país tem a oferecer. O governo também cumpriu a tarefa de organizar o maior evento esportivo do mundo, embora tenha deixado um pouco a desejar no transporte público.
A humanidade, enredo da festa de abertura e de encerramento esta noite (durante a tarde no Brasil), foi a grande celebração nesses 31 dias num país onde a diversidade cultural é grande, fundamentalmente pelas 11 línguas oficiais, mas no desenvolvimento todos parecem utilizar a linguagem da união.
Aspecto fortalecido graças à democracia, que faz parte da história da África do Sul há apenas 16 anos – é por isso que a mascote da Copa, o Zakumi, tem a mesma idade –, e que começou em grande estilo: Nelson Mandela, um advogado negro que se uniu a luta contra o apartheid, regime de segregação racial imposto por uma minoria branca entre 1948 e 1994.
Sem dúvidas, um dos maiores nomes da história mundial quando o assunto é a luta pela paz. Um exemplo de que os fins não justificam os meios. Considerado um terrorista e sabotador pelo governo racista, foi sentenciado à prisão perpétua sem nunca ter apoiado a luta armada. Permaneceu enclausurado durante 27 anos, 22 deles só na Ilha Robben, próxima à Cidade do Cabo. Libertado em 1992 depois da pressão internacional e de sua inegável inteligência nas negociações, Mandela saiu da prisão ainda mais forte. A vingança ou o ódio não floresceram na cela de um pacificador por excelência.
Dois anos depois, tornou-se presidente após a primeira eleição multi-racial do país e grande nome da união que hoje pode se notar, ainda mais no período de festa que vive a nação.
A presença de Mandela na final ainda é incógnita, mas o presidente da Fifa, Joseph Blatter, já revelou que o convidou para entregar a taça de campeão a Carlos Puyol, da Espanha, ou a Giovanni van Bronckhorst, da Holanda. Seria a grande imagem do Mundial 2010 tanto para os sulafricanos quanto para os estrangeiros. Não é só o Brasil-2014 que tem o que aprender com a África do Sul-2010. É mais do que infraestrutura, é humanidade.































